Hoje acordei poética como se fosse capacitada para tal. E a emoção existe em todo mundo, mas nem todos conseguem expressar, ou não se importam e resolvem levar a vida de outra forma. Eu não vivo sem poesia, a forma mais linda de se falar. Eu não vivo sem música, a forma mais linda de se emocionar. Eu não vivo sem teatro, a forma mais linda de me enxergar.
Ando muito Manoel de Barros...choro com suas poesias e frases. Talvez porque na minha maturidade cronológica e vivida intensamente, tenha encontrado na natureza todo o deslumbramento que busquei ao longo da minha vida. E Manoel é natureza pura, emoção vital, sentimento divino.
Queria poder escrever bonito como todos os poetas. Talvez meu coração doesse menos e minhas lágrimas fossem delicadas e bem vindas. Mas escolhi outros caminhos e agora com essa possibilidade de comunicação virtual já consigo escrever alguma coisa, ainda que só eu mesma leia. Não importa, sou poetisa para mim mesma e talvez para alguém desavisado que esbarre nas minhas palavras.
Minha primeira vontade de escrever surgiu quando li Adélia Prado pela primeira vez e descobri que ela havia sido reconhecida como a grande poetisa que é aos 42 anos. Pensei comigo mesma: ainda tenho tempo. Mas o tempo passou e agora estou aqui ainda admirando tantos artistas e nada escrevi. Será que tenho tempo? Talvez, mas o talento da escrita é cultivado aos poucos e cuidadosamente.
Posso não ser escritora, nem emocionar pessoas como nos livros de poesia, mas acho que não faz mal nenhum escrever o que sinto. É como uma necessidade vital de expressar o que transborda do meu peito já tão cansado, do meu coração já tão doído e que mesmo assim insiste em se expor.
Talvez a solidão tenha me ensinado muito sobre mim mesma e sobre a vida. Por isso hoje sou árvore, passarinho, flor, terra molhada, nuvem, mar, cachoeira, chão.
Minhas companhias são permanentes e eventualmente ficam zangadas, como todo mundo por algum motivo, mas sempre estão por perto e me acariciam com a sua beleza.
Hoje acordei nuvem e nem sei se vou chover. Mas é muito bom passear por aí olhando para baixo e cumprimentando minhas companhias diárias.