Phoetycando...

Quem passar por esse blog vai encontrar palavras conhecidas, num grande esforço de que sejam poéticas. Gostaria que todos aqueles que apreciam qualquer forma de arte, se sentissem à vontade nesse blog como que acompanhando o desabrochar de uma flor, ou apenas a compaixão por quem tem a urgência da palavra.
Bons ventos poéticos e musicais cruzem os meus caminhos.

Cora Clarice de Barros

Minha foto
Rio de Janeiro, Brazil
"Sou como a haste fina que qualquer brisa verga, mas nenhuma espada corta." Carta de amor - Oásis - Maria Bethânia

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A origem do nada

Encontrei entre meus rabiscos a origem da temática NADA, que postei aqui. Esse sentimento já passou, estou em outras esferas de emoções poéticas, mas acho interessante ler como tudo começou. "E ainda que o sol brilhe e o dia amanheça convidativo, a vontade de não ver é maior. Desassossego no olhar já embaçado pelo tempo. Em alguns momentos a visão é clara, límpida e convidativa, mas nem sempre é assim, muda como a lua a cada semana. A sensação de que o tempo passou além das minhas tortas contas, passa pela lua e localização do sol na minha casa. Vou mudando a mobília de posição, mas eu mesma não mudo. Rigidez interna no embate com o móvel de rodas, o colchão suspenso, as roupas largadas ao acaso. O tempo passa rígido quando fico com vontade de nada. Embora ache que o dia é tão longo que não vou suportar, quando me dou conta já se passaram muitos dias. A lua encolheu, o sol andou, minha memória falha. Descobri o nome: vontade de nada, que é uma estagnação móvel porém repetitiva. Com o tempo os atos e pensamentos repetitivos se tornam um hábito. Não é vontade de morrer, é vontade de nada. O que me salva é a natureza atropelando os pensamentos.Os canários na flor artificial para um beija-flor...canário gosta de adocicar seu bico? Nuvens que vêm e vão. Saio de manhã com um céu azul turquesa e volto com uma infinidade de desenhos em preto e branco. São as nuvens brincando com os raios solares que vão para outra direção. A vontade de nada é guiada pelos sentidos e não consigo encontrar o espaço do sonho.Quando essa vontade vai embora os sonhos voltam e tudo muda como se nada houvesse acontecido anteriormente. Será que vontade de nada é preguiça? Acho que não. pelo menos comigo, porque qualquer estímulo me desperta e vem um sopro de vida, talvez seja um sopro divino que vem me resgatar da inércia.Mas não acontece sempre. Que bobagem ficar falando sobre a importância da mudança se eu mesma não consigo praticá-la. Vontade de nada é muito perto da vontade de mudar, quase um sussurro. Diacho, mas como se faz para mudar isso?"